Prefeitura de Aracaju estuda alternativas para pagar salários atrasados
Política 02/01/2017 19h10 - Atualizado em 02/01/2017 20h20 |Por Will Rodriguez
Uma das heranças deixadas para o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PCdoB), é o pagamento do salário do mês de dezembro dos servidores. Duas semanas antes do término do mandato do ex-prefeito João Alves Filho (DEM), ele já tinha confirmado que não conseguiria honrar a folha do último mês do ano e, com isso, a equipe econômica da nova gestão se antecipou para começar a buscar alternativas de regularização do funcionalismo.
Em entrevista recente ao F5 News, o secretário das Finanças, Jefferson Passos, informou que, embora tenha iniciado as tratativas para equacionar a questão, não vislumbra uma solução imediata. “Depende de dinheiro de arrecadação, mas todo esforço será centrado em buscar a regularização do salário do servidor ao longo desse ano de 2017. Tenho certeza que conseguiremos esse êxito”, afirmou.
Sem detalhar quais opções estavam sendo estudadas - se o parcelamento do mês em atraso, por exemplo - o secretário acrescentou que existem tratativas para buscar “novas fontes de financiamento para regularizar essa situação”.
O atraso no pagamento dos servidores se arrastou por quase todo o ano passado. Como justificativa, a Prefeitura alegava queda na arrecadação. A consequência foi uma série de greves de várias categorias, entre elas a dos médicos que, nesta segunda-feira (2), completa 30 dias desde o início da paralisação mais recente.
Contas que não fecham
Para além da folha do funcionalismo, as contas da Prefeitura devem dar muita dor de cabeça a nova gestão. Pelos cálculos da equipe de transição do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), o Município tem débitos acumulados da ordem de R$ 500 milhões. “Isso é quase um terço de todo o orçamento municipal aprovado para 2017. Por si só esse dado já descreve o nível de engessamento que o primeiro ano de minha gestão terá como herança da administração anterior”, salientou Nogueira durante a posse, neste domingo (1).
O comunista prevê medidas duras para sanear as finanças da máquina administrativa. “É inevitável o corte de cargos comissionados, a redução de despesas ao máximo, a intolerância com qualquer gasto que não seja extremamente necessário, a diminuição de estruturas administrativas e até mesmo o corte de serviços não essenciais ou não prioritários nessa etapa difícil que vamos atravessar e que será marcada por sacrifícios de toda equipe”, adiantou Edvaldo.
Em entrevista recente à TV Sergipe, o então prefeito, João Alves Filho, negou que estava deixando a Prefeitura com um rombo milionário e disse trabalhar para deixar a máquina administrativa em ordem. “Ele (Edvaldo) está enganado. O novo prefeito só vai ter segurança de como está a situação quando assumir. Não vai ser fácil para ele porque estamos passando por uma crise tremenda, mas vamos entregar (a Prefeitura) muito melhor do que recebemos”, disse.
